O 166 S estava equipado com um motor que representou o quarto nível de evolução do motor original do tipo 125 (125 GT*, 125 S, 159 S). Em Janeiro de 1948, os três motores originais de 1947, os dois 159 S e o ainda não modificado 125 S, viram a sua cilindrada ser aumentada para 1992 cc (166 cc por cilindro), através do aumento do diâmetro para 60 mm, desta forma surgiu o Tipo 166. 
Foram construídos dois 166 S Allemano, o #001S (este exemplar era um spider, pertenceu à equipa Gruppo Inter e venceu a Volta à Sicília de 1948, através da equipa constituída por Clemente Biondetti e Igor Troubetzkoy) e o #003S. São considerados os dois primeiros Ferrari de estrada, sendo que o terceiro construído foi o 166 S Touring Coupé #005S, sendo que a partir deste último, toda a série "stradale" passou a ser designada como Inter.
A partir de Setembro de 1947, a Ferrari iniciou uma nova forma de designação dos châssis, com a utilização de três digitos, e com sufixos distintos para os automóveis de competição e de turismo (Stradale). Os primeiros a usar estas novas referências, foram o 159 S/C #002C e o #004C, posteriormente foi adoptado o sufixo I (relacionado com a "Formula Internazionale", a nova categoria destinada aos sportscar) no final do número de châssis (Ex: #006I e #016I), sendo que o sufixo C passou a ser usado somente nos automóveis de competição de "Grand Prix" (Ex: #02C , #04C).
Os 166 S surgem com uma diferente configuração dos 166 Corsa (F2), sendo que o motor 166 que os equipava (os 166 S) tiveram origem nos já citados 125 S de 1500 cc da qual foi alterado o diâmetro de 55 mm para 60 mm e o curso de 52,5 mm para 58,8 mm.
De referir que existiu igualmente um 166 S que mais não era que o 159 S #01C (Ex. 125 S,o 1º dos Ferrari) que foi utilizado por Franco Cortese nas Mil Milhas de 1948.
O motor do tipo 166 foi usado em diversos modelos, dos Sport, Fórmula 2 e Turismo, com especificações diferentes consoante a utilização.

* O motor 125 GT, é aquilo a que se podia chamar o protótipo do 125 S, tendo sido construído em 1946, segundo os desenhos da autoria de Gioachino Colombo. É um motor em tudo idêntico ao 125 S, mas com diferenças ao nível da potência (72 CV) e da compressão (8:1)

Nº de chassis construídos (1948): 2 / #001 e #003

Principais características técnicas:
(166 S #003S)

Motor:

V12 a 60º (frente, longitudinal)
Cilindrada: 1995,02 (60x58.8mm)
Cilindrada unitária: 166,2 cc
Taxa de Compressão: 7,5:1
Potência máxima: 90 a 110 CV às 6000 rpm
Distribuição: Duas válvulas por cilindro, árvores de cames simples
Alimentação: Um carburador Weber 32DCF
Ignição: Simples, dois distribuidores

Transmissão:

Caixa de cinco velocidades + marcha atrás, montada em bloco com o motor. Tracção às rodas traseiras

Châssis:

Monobloco com tubos de aço de secção elíptica
Suspensão frontal: Rodas independentes, duplos quadriláteros, molas semi elípticas e amortecedores hidráulicos.
Suspensão traseira: Eixo rígido, molas de folhas transversal e amortecedores hidráulicos.
Travões: Tambor
Reservatório de combustível de 80 litros

Carroçaria:

Berlinetta de dois lugares. Allemano

Pneus:

Frente e trás: 5.50 - 15

Dimensões:

Distância entre eixos: 2620 mm
Peso: 800 Kg

Prestações:

Velocidade máxima: 170 Km/h


(Dados baseados em documentos oficiais)
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Este #003S, foi o primeiro Ferrari com carroçaria fechada, realizado pela Carrozzeria Allemano, a partir de um desenho da autoria de Bruno Ermete. Foi também o primeiro châssis na qual foi montado directamente um motor tipo 166.
Apesar de ser necessariamente um automóvel de estrada, o #003S conseguiu a vitória nas Mil Milhas de 1948, através da equipa Clemente Biondetti e Giuseppe Navone (piloto oficial de testes da Ferrari). Como curiosidade, refira-se que o #003S foi usado em publicações oficiais da época, fazendo publicidade à série Inter.
A 7 de Fevereiro de 1949, o piloto italiano Giampiero Bianchetti, juntamente com o seu mecânico Giulio Sala, deslocou-se a Maranello para adquirir o #003S. Foi registado com a matrícula 126799 MI a 4 de Março, tendo Bianchetti participado em duas corridas nesse mesmo ano, a 4 de Julho na Rampa de Bolzano / Mendola e a 11 do mesmo mês na Coppa Internazionale delle Dolomiti. 
Este Ferrari teve inicialmente a cor vermelha, no entanto a partir das Mil Milhas de 1949 (Bianchetti / G. Sala), passou a ostentar a cor cinzenta pérola (Ao mesmo tempo que foi alterada a cor da carroçaria, também foram modificadas as janelas laterais, que passaram a ser de vidro, com subida vertical, ao invês da primeira versão que ostentava as janelas em perspex e com deslocação horizontal. Posteriormente, este Ferrari chegou a montar pára-choques)
Em 1950, Bianchetti repintou este Ferrari de cor vermelha, e continuou a usá-lo, juntamente com o Ferrari 166 S/C #014I, em várias competições em solo italiano. Nesse mesmo ano, Bianchetti inscreveu o #003S em duas competições em Portugal (Porto e Vila Real), mas foi Giovanni Bracco quem acabou por pilotá-lo nestas duas corridas. Curiosamente, estas foram as duas últimas competições feitas pelo #003S. Este Ferrari seria posteriormente recarroçado pela Carrozzeria Coli de Milão, depois de ter sofrido um acidente de estrada durante a propriedade de Bianchetti, para mais tarde ser desmantelado (em 1958).
Este foi o Ferrari mais antigo a entrar em competições em Portugal.


I Circuito Internacional do Porto 
17/18 de Junho
Giovanni Bracco (Nº15)
Treinos: Não participou / Partiu do 12º lugar da grelha
Corrida: Não terminou

IX Circuito Internacional de Vila Real
24/25 de Junho
Giovanni Bracco (Nº4)
Treinos: 4º 
Corrida: Não terminou



Para mais pormenores sobre as participações do #003S: 
ferrariemportugal1950.blogspot.pt